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Terça-feira, 28 de junho de 2022

Você está em: BoletinsBoletim n°5 - Nov. 2000
Boletim n°5 - Nov. 2000
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Agulhinha Juliana

Desde a Fundação do nosso Clube, procuramos realizar excursões no Espírito Santo, onde existem amplas possibilidades para a prática do montanhismo, incluindo muitas montanhas de rara beleza que nunca foram escaladas.

Foi assim que, após havermos escalado a Chaminé UNICERJ, no inverno de 1988, exploramos a região de Estrela do Norte. Lá vislumbramos a possibilidade de conquistar uma Agulhinha que nos pareceu uma verdadeira versão compacta da montanha onde, dez anos antes, conquistamos a Chaminé UNICERJ.

Assim sendo, no feriadão da semana da pátria do ano seguinte, fizemos duas investidas nos dias 07 e 09 de setembro, intercalando no dia 08 de setembro com uma bem sucedida escalada no Frade & Freira, em Cachoeiro do Itapemirim - incluindo a Vertiginosa Descida Sérgio Carvalho, com seus negativos de cortar o fôlego, bem como a Via Graciliano Ramos, que exigiu a união de todos os envolvidos no empreendimento.

Por ser uma conquista pequena, acreditávamos que poderíamos concluir a conquista da Agulhinha no feriadão de 15 de novembro do mesmo ano de 1999. Desse modo, para lá seguimos muito empolgados com as perspectivas de conclusão da escalada.

Naquela ocasião, contudo, o tempo conspirou contra nós e passamos os três dias enfrentando chuvas constantes que só permitiram que avançássemos alguns infinitésimos na conquista, e mesmo assim a custa de uma grande quantidade de equipamento móvel e de uma determinação que chegou ao limiar da obstinação. Para agravar, além de muita lama na estrada e no acampamento, tivemos que enfrentar um engarrafamento monstruoso na viagem de volta o que consumiu o que restava da nossa paciência.

Com a chegada do calor sufocante do verão, acompanhado das costumeiras chuvas torrenciais, decidimos esperar chegar a época mais adequada para fazer a expedição decisiva e assim conquistar o belo penhasco que nos desafiava, e permeava muitas de nossas conversas entusiasmadas.

A essa altura já havíamos decido que a nova conquista seria um presente à minha filha mais nova, Juliana. Todos concordavam que ia ser um presente de beleza singular. Eu já havia tido a ventura de, com meus companheiros, conquistar a Fissura Mariana (1990) e a Descida Anamaria (1998) para as minhas filhas mais velhas. Chegava a hora de fazer uma conquista para a caçula.

Desse modo, aproveitando os feriados da na última semana santa, rumamos para o Espírito Santo em grande estilo, contando agora com um tempo esplendoroso nos quatro dias que lá estivemos, o que não somente permitiu concluir a conquista da Agulhinha Juliana, como também regrampear toda a escalada.

Na ocasião, vislumbramos a possibilidade real de fazer uma Descida Diretíssima no grande negativo por fora das fendas que constituem a maior parte da escalada. Para isso, contudo, necessitávamos de duas cordas super-longas e só tínhamos uma, além das tradicionais cordas de 50 e 60 metros, muito curtas para um negativo tão longo.

As duas JulianasQuando da escalada inaugural, ocorrida dia 13 de Outubro último, utilizando duas cordas de 90 metros de extensão, unidas, para proporcionar o posterior recolhimento das mesmas, como é de praxe, conquistamos essa nova via que demos o nome de Descida Estrela do Norte em homenagem ao povoado mais próximo, que tão bem nos acolheu.

A excursão de inauguração contou com a presença de 12 pessoas que acamparam próximo à base. Os que não escalaram, como a própria Juliana, puderam acompanhar ao longo de dois dias, todos os procedimentos da subida e descida dessa nova jóia do acervo de conquistas que a UNICERJ compartilha com todos os montanhistas.

O cume dessa montanha nunca tinha sido atingido anteriormente. Desse modo não fizemos apenas a conquista de uma via muito difícil, mas também conquistamos uma pequena e bela montanha, que simplesmente "estava lá" (appud George Mallory, explorador do Monte Everest, com Andrew Irvine).

Santa Cruz

AGULHINHA JULIANA*
conquistada na 5ª investida, dia 22 de Abril de 2000
localização: Estrela do Norte, Castelo, Espírito Santo.
extensão da escalada: ±100 metros (da base do primeiro lance ao cume).
conquistadores: Borges, Buarque, Cassio, Edilso, Hugo, Leo, Juliano, Marcos, Sonia, Valdecir, Willy e Santa Cruz.
classificação: escalada muito difícil
tipo de escalada: predominam fissuras e chaminés, com proteções fixas (grampos, pitons definitivos e chapeletas). Requer muito equipamento móvel, inclusive nuts de cabo pequenos e friends grandes. Para segurança dos escaladores há cinco pontos de paradas com grampos duplos além dos grampos próximos ao cume.

*Um presente para Juliana Ladeira Pereira, minha filha.


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