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Segunda-feira, 20 de setembro de 2021

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Boletim n°2 - Jan. 1999
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As Descidas Vertiginosas do Dedo de Deus

Dedo de Deus visto do PolegarPara um montanhista apaixonado, as escaladas não são tudo na vida. É claro que não. Entre tudo mais, há também as caminhadas.

Contudo, há montanhas onde não se pode chegar ao cume só por caminhadas. É precisamente este o caso do Dedo de Deus. Num determinado ponto da subida, a caminhada se transforma obrigatoriamente em escalada, qualquer que seja o caminho escolhido. Assim sendo, em montanhas como o Dedo de Deus, o simples ato de descer constitui uma fonte inesgotável de emoção e sabedoria.

O montanhismo já foi chamado ESPORTE DIFERENTE. Diferente porque dispensa competição. Descidas são mais diferentes ainda. É bem verdade que nas descidas a gravidade nos ajuda e não precisamos vencê-la, como ocorre nas subidas. Contudo, embora o esforço físico seja menor, não há como compensar o arrepio na espinha, a vertigem e o abandono dos abismos assustadores que são capazes de causar frisson no mais experiente montanhista.

Quando conquistamos as descidas vertiginosas do Dedo de Deus, as nossas motivações foram as mais variadas. Mais que o desafio, havia a vontade de compartilhar algo muito precioso com todos os montanhistas. Desde 1982, quando terminamos a conquista do Diedro Salomyth, sonhávamos fazer pelo menos uma nova descida diretíssima desde o cume. Acontece que estávamos um tanto saturados do Dedo de Deus, pois a conquista do Diedro Salomyth exigiu 16 investidas, algumas delas com temporais inesquecíveis. Resolvemos então dar um tempo.

Os anos 80 foram seguindo adiante e não transformávamos em realidade as tão sonhadas Descidas Vertiginosas. Um dos motivos é que havia outras montanhas que chamavam nossa atenção para caminhadas, escaladas, regrampeações e conquistas. O tempo foi passando. Nada é mais inexorável na vida.

Chegamos então ao final de 1994, quando decidimos regrampear a via Teixeira (1912), a escalada primordial do Dedo de Deus, cujos grampos estavam em péssimo estado e constituíam artefatos grotescos, verdadeiros contrapontos de horrores.

Foi então que decidimos retomar o projeto das Descidas Vertiginosas. Assim, enquanto a Via Teixeira foi sendo recuperada, começamos a conquistar novas descidas.

Tivemos muitas surpresas nas dezenas de excursões realizadas, que levaram a várias mudanças nos planos que foram ficando cada vez mais ambiciosos pois mostravam o Dedo de Deus em toda a sua complexidade.

Assim foram surgindo as quatro novas descidas: Rio de Janeiro, Galileu Galilei, Miraflores e Montanhismo Amador. Conquistamos também as variantes Gilda Borges e Terra em Transe, além de iniciar a regrampeação do Diedro Salomyth, que em janeiro de 1999 está completando 25 anos da sua 1ª investida de exploração.

Os que nos conhecem, sabem que nosso estilo criterioso não se satisfaz apenas em fazer novas conquistas e deixar para lá. Nós nos preocupamos com o destino das pessoas que vão fazer as escaladas e descidas que conquistamos. Não foi diferente nas Descidas Vertiginosas do Dedo de Deus.

Assim, tivemos o trabalho de duplicar todos os 22 grampos de cada ponto de parada. Em seguida, num trabalho infatigável, que só quem já fez pode avaliar, aferimos com precisão de centímetros cada um dos 22 rappels envolvidos.

Hoje, podemos assegurar que a Descida Rio de Janeiro, constituída de 14 rappels, tem 255,02 metros, do cume à bifurcação. O belo croqui do Sayão na página central dá uma idéia geral e as informações necessárias.

As demais descidas também foram aferidas com precisão e seus croquis aparecerão no livro que está no prelo e será lançado nos próximos meses pela UNICERJ, contando um pouco da história de companheirismo, grandeza, superação e generosidade vivida por um punhado de seres humanos nas verticalidades assustadoras do Dedo de Deus.

Numa época de tanto egoísmo, tanta exacerbação tecnicista e arrogância vazia dos que pensam que são semi-deuses mas que são seres humanos como nós, oferecemos a todos nossas sinceras e radicais Descidas Vertiginosas do Dedo de Deus.

Santa Cruz


Capa do LivroNo primeiro aniversário da UNICERJ será lançado o Livro "As Descidas Vertiginosas do Dedo de Deus", com texto de Osvaldo Pereira (Santa Cruz) e croquis de Luís Sayão


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